domingo, 11 de outubro de 2009

CUBISMO

Por Danielle Spada
“ Não se imita aquilo que se quer criar“
Georges Braque (1882 - 1963)
Para melhor esclarecer as mudanças propostas pelo cubismo, vamos atentar para algumas das suas particularidades: o cubismo é um movimento artístico com algumas marcas fundamentais. Nele, as figuras são quebradas em planos e reorganizadas sem a utilização da perspectiva tradicional. As referências à arte primitiva também servem para contestar a noção de profundidade renascentista.
O termo cubismo designa um movimento que usava figuras geométricas (triângulos, cubos) para construir uma imagem.
Duas características principais definem o cubismo:
1)É uma arte onde já não é possível distinguir o que é imagem principal do que é o fundo de uma tela;
2) Nele uma imagem é mostrada a partir de vários pontos de vista. Exemplo: um retrato mostra uma mulher de frente e de perfil ao mesmo tempo. Com esse tipo de representação o cubismo pôs fim à perspectiva, recurso usado há seis séculos até então, e que dava a ilusão de profundidade na arte.
Outras características:
•Geometrização das formas e volumes
•Renúncia à perspectiva
•O claro-escuro perde sua função
•Representação do volume colorido sobre superfícies planas
•Sensação de pintura escultórica
•Cores austeras, do branco ao negro passando pelo cinza, por um ocre apagado ou um castanho suave.

“Não consigo ver nada além de cubinhos.”
Matisse

Foi o pintor francês Henri Matisse quem, em 1908, criou o termo cubismo, o qual, por sua vez, viria nomear este movimento artístico.
Embora os quatro verdadeiros Cubistas: Picasso, Braque, Gris e Legér, quebrassem os objetos em pedaços, que não eram propriamente cubos, o nome pegou.


A Arte consiste em inventar e não copiar.”
Fernand Léger

Os primeiros artistas a realizar pesquisas simultâneas de novas formas de representação foram Braque e Picasso. Os dois foram fortemente influenciados pela produção de Cézanne (1839-1906), descrita em 1904 pelo pintor e escritor francês Émile Bernard (1868-1941) como uma maneira de "tratar a natureza por meio do cilindro, da esfera, do cone".


O cubismo se divide em duas grandes fases.
CUBISMO ANALÍTICO E CUBISMO SINTÉTICO

Até 1912, no chamado cubismo analítico, observa-se uma preocupação predominante com as pesquisas estruturais, por meio da decomposição dos objetos e do estilhaçamento dos planos, e forte tendência ao monocromatismo.
Usavam a monocromia para não serem distraídos pelas cores.


Pablo PicassoMulher em verde, 1909


Retrato de Ambroise Vollard - Picasso.


(Retrato de Wilhelm Uhde. Pablo Picasso, 1910)

Retrato de Henry Kahnweiler

Em 1912-1913, as cores se acentuam e a ênfase dos experimentos é colocada sobre a recomposição dos objetos. Nesse momento do cubismo sintético, elementos heterogêneos - recortes de jornais, pedaços madeira, cartas de baralho, caracteres tipográficos, entre outros - são agregados à superfície das telas, dando origem às famosas colagens, amplamente utilizadas a partir de então.
Reagindo à excessiva fragmentação dos objetos e à destruição de sua estrutura. Basicamente, essa tendência procurou tornar as figuras novamente reconhecíveis. Também chamado de Colagem porque introduz letras, palavras, números, pedaços de madeira, vidro, metal e até objetos inteiros nas pinturas. Essa inovação pode ser explicada pela intenção do artistas em criar efeitos plásticos e de ultrapassar os limites das sensações visuais que a pintura sugere, despertando também no observador as sensações táteis.
Assim como Cézanne foi importante, é também inegável a importância de Picasso para a arte moderna, porém foi Braque quem trouxe para o movimento cubista procedimentos fundamentais como o "papier collé" (colagem) e o "assemblage" (inclusão de objetos na obra de arte). Estas idéias foram, posteriormente, também apropriadas com euforia por Picasso.

No verão de 1912, Braque produziu o quadro "Prato com Fruta e Copo", criando o primeiro papier collé.

Aliás, já no inverno anterior Georges Braque tinha realizado uma imitação de textura de madeira para um quadro intitulado "Hommage à J.S. Bach" onde inseriu o nome do compositor, usando outro método inovador: recortando as letras em papel para depois as colar no quadro.

Mesa com v iolão- Braque

Convém aqui abrir um parêntesis para salientar que desde o início do Cubismo, Braque representa a postura baseada na pesquisa plástica contínua, à qual a pintura contemporânea deve alguma das descobertas basicas: a concepção do quadro objeto, a inserção de caracteres impressos, letras, números e outros signos diversos, no quadro, como motivo de criação de formas reais, existentes apenas na pintura e ainda o uso do papier collé na evocação poética do real. Será também o primeiro artista a misturar areia, cinzas, serragem, limalha de ferro e outros materiais, na tinta.
Em “O Bandolim Azul” o artista aplicou grande quantidade de areia à tinta, o que dá uma aparência de textura real que contrasta com as ilusões que queria transmitir para o espectador.
“O Bandolim Azul”

Violino 1912
Picasso

Natureza Morta com Cadeira de Trançado – 1912 - Picasso

Além de Braque e Picasso, Juan Gris contribuiu significativamente para o cubismo sintético.
Juan Gris. Guitarra diante do mar, 1925

Die Jalousie - O obturador

''Copo com Água e Cartas de Jogar'' 1913

A Parrot for Juan Gris - Um papagaio de Juan Gris

Fernand Léger
Adicionou formas curvas ao vocabulário angular cubista, foi apelidado de “Tubista” pois suas formas eram tubulares.

A Mulher de Vermelho e Verde“ Fernand Leger, Paris

Mulher com gato. Fernand Leger

Três moças - Fernand Leger
Bibliografia

ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna: do iluminismo aos movimentos contemporâneos. Tradução Denise Bottmann, Frederico Carotti; prefácio Rodrigo Naves. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. xxiv, 709 p., il. color.
CHALVERS, Ian. Dicionário Oxford de arte. Tradução Marcelo Brandão Cipolla. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
COTTINGTON, DAVID. Cubismo. Tradução Luiz Antônio Araújo. São Paulo: Cosac & Naify, 1999. 80 p., il. color. (Movimentos da arte moderna).
DAIX, Pierre. Dictionnaire Picasso. s.l.: Éditions Robert Laffont, 1995.
DICIONÁRIO da Pintura Moderna. Tradução Jacy Monteiro. São Paulo: Hemus, 1981. 380 p., il. p.b.
La Nuova enciclopedia dell'arte Garzanti. Milão: Garzanti, 1986.
MICELI, Sérgio. Nacional estrangeiro: história social e cultural do modernismo artístico em São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. 211 p., il. color.
MORAIS, Frederico. Cronologia das artes plásticas no Rio de Janeiro: da Missão Artística Francesa à Geração 90 : 1816-1994. Rio de Janeiro: Topbooks, 1995. 559p.
ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. Apresentação Walther Moreira Salles. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães : Instituto Walther Moreira Salles, 1983. 2v., il. color.


















EXPRESSIONISMO

EXPRESSIONISMO
A BELA ARTE DO SENTIMENTO
De 1905 a 1930

Por Danielle Spada

A partir de 1905, o expressionismo desenvolveu-se quase simultaneamente em países diversos. O alemão, em especial, caracterizado por cores intensas e simbólicas e imagens exageradas, tendia a abordar os aspectos mais sombrios e sinistros da alma humana.
Os fauvistas, mesmo em seus momentos mais desenfreados, conservavam um sentido de harmonia e projeto, mas a Brücke abandonou tal freio. Seus integrantes usavam imagens da cidade moderna para comunicar com figuras e tons distorcidos a idéia de um mundo hostil e alienante.

Die Brucke - A Ponte
"De onde nós queríamos nos afastar, nos era claro; aonde nós iríamos chegar, estava porém pouco definido."

Karl Schmidt-Rottluft, um dos fundadores do grupo Die Brücke, definiu certa vez as intenções da associação de jovens artistas surgida em Dresden no início do século passado.

Uma ponte para o futuro

Era nessa premissa que seus membros acreditavam para desenvolver sua arte.
Membros:
•Ernst-Ludwig Kirchner,
Karl Schmidt-Rottluff,
•Fritz Bleyl
•Erich Heckel
•Em 1906, ingressaram nele Emil Nolde e o suíço Cuno Amiet; depois, no mesmo ano, Max Pechstein e o finlandês Axel Gallén. O último a tomar parte foi Otto Müller, em 1910, um pouco antes do grupo mudar suas instalações para Berlim.

A gênese do ato artístico

•Pintura operária;
•A imagem não é imaginada ou criada, ela não é, ela se faz;
•Crítica social e da angústia da condição humana, sendo atormentados por obsessões políticas, religiosas e sexuais.
•É a primeira poética do feio.
•Quadros intensos, angustiantes, com formas distorcidas e cores estridentes.
•Revivescência das artes gráficas, principalmente da Xilogravura.

“Aquele que apresenta suas convicções íntimas como deve e o faz com espontaneidade e sinceridade é um de nós.” Kirchner


Exemplo de matriz de Xilo



Ernst Ludwig Kirchner, 1906 Xilogravura


Ponte Augustus, Dresden, 1904


Karl Schmidt - Rottluff, 1909 Xilogravura

Max Pechstein,1909 (Schmidt-Rottluff Heckel, Kirchner, Pechstein) Xilogravura
Kathe Kollwitz

Um exemplo e exímia gravurista é Kathe Kollwitz, que se concentrava em temas pacíficos e sofrimentos dos pobres no pós-guerra.

A Viúva I - 1923

Filho Morto

Fome
Karl Schimidt Rottluff

Começou seus estudos de arquitetura no verão de 1905, em Dresden. Ali reatou amizade com um amigo de colégio, Erich Heckel, e através dele conheceu Kirchner. Formou-se, nesse mesmo ano, o núcleo dos fundadores do A Ponte/Die Brücke. Nesse momento, Schmidt resolveu acrescentar ao seu nome o de sua cidade natal. Em 1912, o artista mudou sua figuração devido ao contato com o Cubismo, que influenciaria sua obra, através de uma exposição em Colônia.



A MÃE , 1916 XILOGRAVURA S/ PAPEL, 37.3 x 31.0 cm DOAÇÃO MAMSP

Três Mulheres à Beira-Mar, 1919

Retrato de Rosa Schapire, 1919

Mulher lendo, 1950

Fariseus - 1912 Karl Schmidt-Rottluff 1884-1976

E. L. KIRCHNER

“ Meu objetivo é sempre expressar a emoção e experimentar as formas amplas e simples e cores claras.” E. L. KIRCHNER

Depois da I guerra Mundial, seu estilo se tornou ainda mais frenético e mórbido, até que , apavorado com a ascensão do Nazismo, ele se suicidou.

Ernst Ludwig Kirchner,
Berlin Street Scene (1913).

Kirchner Ernst LudwigZirkusreiterin

Ernst Ludwig Kirchner,
Duas Mulheres

Ernst Ludwig Kirchner ((1880-1938), Nollendorf Square, 1912.

Ernst Ludwig Kirchner Praça de Berlin

KIRCHNER Do Apokalypse (homem com a espada impetuosa)

Emil Nolde

Emil Nolde (Emil Hansen, 1867 - 1956), que durante breve período esteve ligado à Brücke, era mais intensamente expressionista e, durante grande parte de sua carreira, trabalhou em isolamento. O interesse pela arte primitiva e pela cor sensual levou-o a pintar algumas obras notáveis em que vemos energia dinâmica, ritmos simples e tensão visual.


Cristo, 1909
Crucifixion - 1912

Pessoas excitadas- 1913

Mulher e o Pierrot - 1917

Uma mulher - 1954

Emil Nolde’s “Maskenstilleben” (A Mascara vive ainda)

Erich Heckel

Menina em pé

"Retrato de Ernst Ludwig Kirchner" Erich Heckel, 1913

“Moinho de Vento, Dangast” (1909)
Erich Heckel, Casas rojas, 1908

Otto Müller

Duas Mulheres entre as canas

Otto Mueller
Casal I

Otto Mueller
Mulheres com gato - 1927

Otto Mueller
Amantes

Otto Mueller
Cenas de crianças ciganas

Otto Mueller
Casal II