ARTE MODERNA Por Danielle Spada
O Início O primeiro grande rompimento com a tradição ocorreu já em 1789, com a Revolução Francesa. Desde então, os artistas sentiram que os temas aceitos para as obras de arte, como a história, a religião e a mitologia, não faziam necessariamente parte de suas vidas e da experiência que queriam expressar em seus trabalhos. Eles queriam pintar somente o que lhes agradava; essa atitude constitui, realmente, o início da arte moderna. Tudo isso eram possibilidades. É claro, não eram idéias inteiramente novas. Mas os artistas do século XX adotaram conscientemente e deliberadamente elementos singulares, que por eles foram descobertos e elaborados, como o princípio fundamental da arte.
TendênciasRenúncia a invocação de modelos clássicos, tanto na temática quanto no estilo.
Desejo de diminuir a distância entre as “Artes Maiores” e as “Aplicações”.
Funcionalidade decorativa.
Revolucionar as modalidades e finalidades da arte.
Comumente chamada de expressionista é a arte alemã do início do séc. XX. Na verdade o expressionismo é um movimento europeu com dois centros distintos: O francês – “Fauves” – Feras e o alemão “Die Brucke” - A Ponte. (1905) Os dois desembocam respectivamente no Cubismo (1908) – na França e “Der blaue Reiter” – O Cavaleiro Azul – Na alemanha(1911)
Alguns estudiosos marcam o início da Arte Moderna em meados do séc. XIX, com o Impressionismo, outros no final do séc. XIX, com o Pós-Impressionismo. Utilizaremos aqui a linha que começa com o Fauvismo, dando início a Arte Moderna, no início do séc. XX.
Um Panorama da épocaO século XX inicia-se ampliando as conquistas técnicas e o progresso industrial do século anterior. Na sociedade, acentuam-se as diferenças entre a alta burguesia e o proletariado. O capitalismo organiza-se e surgem os primeiros movimentos sindicais que passam a interferir nas sociedades industriais. No final do século XIX, o primeiro trem elétrico, o metrô de Paris, acelerou a vida nessa cidade. Em 1902, é publicado o primeiro livro de Freud sobre a interpretação dos sonhos. Em 1905, a teoria da relatividade de Eisntein desenvolveu as teorias de Newton, tratando uma vez mais de espaço, tempo e movimento. Surgem as primeiras fotos em jornais, e as pessoas passam a apreender visualmente o que está acontecendo em remotas regiões. O telefone converte-se, em 1906, num aparelho cotidiano. O primeiro vôo sobre o Atlântico não tardaria a tornar-se realidade, bem como o primeiro carro de uso familiar, o Ford modelo T. Nas primeiras décadas do século passado ocorrem também profundas conturbações políticas: a Primeira Guerra Mundial(1914), a Revolução Russa (1917), o surgimento do fascismo na Itália e do nazismo na Alemanha. Não demorou muito pra que as situações políticas criadas pela Itália e Alemanha levassem os países europeus e americanos a envolverem-se em um novo conflito mundial (1941). Com essa última grande guerra, tiveram início também as pesquisas e o uso da energia nuclear, que se configura hoje como a ameaça à sobrevivência da humanidade.
Arte FauveNenhum outro período em uma cultura produziu e sofreu influências de obras tão diversas como este. O ser humano tem mania de classificar toda forma ou estilo de alguma produção, mas diante de tanta multiplicidade de trabalhos que foi produzido no séc. XX, os maiores artistas não chegam a se encaixar em nenhum estilo específico. O grupo, sob a liderança de Henri Matisse (1869-1954), tem como eixo comum a exploração das amplas possibilidades colocadas pela utilização da cor. A liberdade com que usam tons puros, nunca mesclados, manipulando-os arbitrariamente, longe de preocupações com verossimilhança, dá origem a superfícies planas, sem claros-escuros ilusionistas.

Como afirma Matisse a respeito de A Dança (1910): "para o céu um belo azul, o mais azul dos azuis, e o mesmo vale para o verde da terra, para o vermelhão vibrante dos corpos".
“O Fovismo não é tudo, é apenas o começo de tudo.”
Os fauvistas fazem sua primeira aparição pública no Salão de Outono, em Paris, 1905. No ano seguinte, no Salão dos Independentes, o crítico Louis Vauxcelles batiza-os de Fauves (feras, em francês) em função da utilização de cores fortes e intensas.
Seu pai Pós-Impressionista foi Gauguin, que buscava a COR.

“A vida é cor. O pintor pode fazer o que quiser, desde que não seja estúpido.” Paul Gauguin
Algum Artistas FauvesAlbert Marquet (1875-1947), reconhecido como desenhista
Marquet era considerado um Fauve, apesar de na realidade ser apenas contra o impressionismo. Para ele a cor não foi nunca um fim ou um significado. Excelente desenhador, Marquet expressou-se com linhas simples e rápidas, reduzidas ao mínimo necessário para a estrutura das suas composições. Usou cores suaves, límpidas em tons delicados. Marquet acabou por se tornar um realista na tradição de Corot, Courbet e Poussin. Foi um apaixonado da natureza.

"Le 14 juill et Au Havre"Albert Marquet
André Derain (1880-1954)Derain encontrou Matisse pela primeira vez em 1898. Estudaram juntos na "Académie Carrière" em Paris. Incentivado por Matisse, Derain começou em 1904 a usar cores fortes, não naturais, aplicadas com pequenas pinceladas separadas, para realçar a luz sobre a sombra. Durante umas férias no porto pesca de Collioure, no sul da França, em 1905, pintaram retratos um do outro. É provável que estas pinturas tenham estado entre aquelas que Derain expôs mais tarde em Paris no "Salon d'Automne" desse ano. Era sua contribuição para esta exposição que lhe deu a reputação de ser um artista radical Fauve (Fera).

"Henri Matisse 1905"Óleo sobre Tela460x349mmAndré Derain
Maurice de Vlaminck (1876-1958)«Eu intensifiquei todos os tons. Transpus para uma orquestração de cor todos os sentimentos dos quais tinha consciência. Era um bárbaro, jovem e cheio de violência.»
Pintor autodidata, Vlaminck inicialmente sustentou-se a ele próprio tocando violino e escrevendo romances.
Juntamente com derain, esguichava tinta na tela misturando as camadas grossas.
Pintor do excesso.

The River Seine at Chatou, 1906 - Oil on canvas
DUFY: ANIMADOR DO FAUVEDufy pertenceu a uma época de transição, em que o Impressionismo dava lugar ao Fauvismo e ao Cubismo.
Dufy absorveu de Cézanne e do Cubismo o princípio da construtividade da cor, mas, de modo diverso, utilizou-a de forma empírica não-racional, para trazer à pintura uma natureza vibrante, mutável, pouco densa, traduzida por pinceladas curtas - uma sinalética ondulante, como ondas de freqüência da eletricidade.
Seu desenho era tão fluido, suas cores tão vivas, que nunca faltou beleza às suas cenas.
Achou tão fácil desenhar com a mão direita que resolveu desenhar com a esquerda e que acabou vindo a preferir.
“ A natureza, meu caro senhor, é apenas uma hipótese.”

The Casino at Nice

Interior de uma janela
ROUAULT: Quadros vitraisEnquanto os Fauves pintavam animadas telas urbanas, as dele eram cheias de dor e sofrimento.
Católico fervoroso, dedicou-se a redimir a humanidade através da denúncia do mal.
Tinha um conturbado relacionamento com seu “marchand” – Volllard
"Passou pelo fogo”

Flagellation (vitrail)de Georges Rouault

"Cirque de l'Étoile Filante", 1934
Van DongenEntrou na cena artística Parisiense no auge do Fauvismo durante os anos dos Salon des Independants e Salon d’Automne. Ele teve grande sucesso e a representação sensual de figuras nuas também conferiu-lhe notoriedade.
Depois dos anos do Fauvismo, ele tornou-se o seu próprio empresário de arte em Paris. Mais tarde, desiludido e amargo, ele começou a pintar retratos da alta sociedade.
As suas pinturas Le Ble et Le Coquelicot, são muito dinâmicas e quase dão a impressão do vento empurrando as nuvens e penteando a vegetação dos campos.

Desnudo

Femme Fatale
E Matisse? Lembra que neste post disse que "os maiores artistas não chegam a se encaixar em nenhum estilo específico" Pois bem, este é o caso de Matisse. Matisse é Matisse e ponto. Um gênio não poderia pertencer somente à um estilo que durara aproximadamente quatro anos. Ele transcendeu a isso e vamos abordá-lo separadamente em outro Post. Aguardem!
Bibliografia:O Livro da Arte, Martins Fontes
Conceitos de Arte Moderna, Jorge Zahar Editor
História da Pintura, Wendy Beckett, Editora Ática
Arte Comentada – Da Pré-História ao Pós-Modernismo, Carol Strickland, Ediouro